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Intervenções Winnicottianas na psicoterapia infantil: brinquedo, jogo e espaço transicional

10 de outubro de 2026 Priscila Checoli 4 min de leitura

Explicação sobre como as intervenções Winnicottianas utilizam o brincar, o jogo e o conceito de espaço transicional para promover simbolização, expressão e reparação emocional em crianças.

Intervenções Winnicottianas na psicoterapia infantil: brinquedo, jogo e espaço transicional

As Intervenções Winnicottianas na psicoterapia infantil valorizam o brincar como via privilegiada de expressão, simbolização e reparação emocional, oferecendo ao terapeuta pistas sobre o mundo interno da criança e condições para promover transformação psíquica.

Por que o brincar é central na psicoterapia infantil Winnicottiana

Para Winnicott, o brincar não é apenas atividade lúdica, é o principal meio pelo qual a criança constrói simbolização, representa conflitos e experimenta possibilidades de relação. O jogo inaugura uma experiência potencial em que realidade e imaginação se encontram, permitindo que emoções difíceis sejam tornadas simbólicas e, assim, mais passíveis de elaboração.

Conceitos-chave: espaço transicional, objetos transicionais e holding

Alguns conceitos winnicottianos orientam a intervenção clínica:

  • Espaço transicional: campo intermediário entre o mundo interno e externo, onde ocorre a brincadeira e a criação simbólica.
  • Objetos transicionais: brinquedos ou objetos que auxiliam a criança a lidar com a separação e a construir continuidade emocional.
  • Holding: função de contenção oferecida pelo ambiente e pelo terapeuta, que dá suporte à segurança necessária para o brincar transformador.

Como o terapeuta intervém: princípios e postura

Na abordagem Winnicottiana a intervenção privilegia postura receptiva e facilitadora mais do que intervenção direta e interpretativa precoce. O terapeuta busca:

  • Oferecer um ambiente consistente e segurador, que permita o surgimento do jogo espontâneo.
  • Atuar com atendimento atento, contendo gestos, afetos e rupturas sem invadir o processo lúdico.
  • Manter uma atitude de curiosidade e not-knowing, permitindo que o sentido surja a partir do brincar da criança.
  • Utilizar intervenções simples: convite para brincar, reformulação de uma cena, devolução do afetos observados, criação de limites claros e previsíveis.
O brinquedo funciona como ponte entre o que a criança vive por dentro e o que pode ser partilhado no ambiente, possibilitando simbolização e transformação.

Intervenções práticas em sessão

Exemplos de ações concretas que respeitam a teoria e o desenvolvimento infantil:

  • Organizar um espaço com brinquedos que permitam simbolizar relações, agressividade, cuidadania e perdas, evitando excessos que confundam a criança.
  • Observar antes de intervir, deixando o jogo inicial se desenvolver para identificar temas recorrentes e modos de expressão.
  • Convidar a criança para elaborar uma cena repetida no brincar, oferecendo pequenas alterações que permitam experimentar desfechos diferentes.
  • Introduzir e validar objetos transicionais quando indicados, acompanhando a relação afetiva que a criança estabelece com o objeto.
  • Trabalhar reparações após rupturas na relação terapêutica, nomeando o ocorrido com sensibilidade e restaurando o sentido de segurança.

Trabalho com os pais e o setting terapêutico

O envolvimento dos pais é parte essencial, pois a função de holding complementa a ação terapêutica. Recomendações práticas:

  • Explicar a função do brincar na terapia e orientar sobre a importância da continuidade e previsibilidade do setting.
  • Oferecer devoluções cuidadosas aos responsáveis, sem expor detalhes identificáveis, favorecendo compreensão e suporte ao processo da criança.
  • Orientar sobre a utilização de objetos transicionais em casa, quando apropriado, e sobre como responder a comportamentos que emergem do sofrimento emocional.

Quando a intervenção deve ser ajustada

Se o jogo estiver muito agitado, repetitivo sem simbolização ou acompanhado de risco para a criança, o terapeuta ajusta ritmo e limites, e considera articulação com outros profissionais quando necessário. Cada intervenção respeita o ritmo singular da criança.

Concluindo, as Intervenções Winnicottianas na psicoterapia infantil apostam na criação de um espaço segurador onde o brincar permite simbolizar, expressar e, aos poucos, reparar experiências emocionais. O terapeuta atua como facilitador da transformação, com atenção à singularidade de cada criança e ao vínculo com a família.

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